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Teatro Cinema e TV
Pedro Liasch Filho

Embora, ao tempo dos cristãos primitivos, estivesse o teatro na moda, com certeza não atraia nem judeus nem cristãos, pois fazia parte de celebrações religiosas em honra aos deuses pagãos. Além do mais tudo então era controlado pelo império, e o cristianismo, marginalizado, era perseguido pelos romanos.

Apresentando, porém, tragédias, fábulas e comédias, inspiradas ou não no paganismo, o teatro era uma espécie de a voz do povo, que através de suas peças, denunciava as distorções da sociedade. Um dos pioneiros nesse trabalho, foi Aristófones, famoso teatrólogo grego, do Século V a.C., que com suas comédias denunciava a incompetência e a venalidade dos governadores, bem como os maus costumes da juventude de Atenas, e ainda os corruptores das instituições gregas.

Tendo desaparecido juntamente com o império romano, o teatro só veio a ressurgir por volta do século XIII, já sob a influência do catolicismo. Representando nessa época histórias bíblicas do Gênesis ao Apocalipse, bem como tornando-se um movimento artístico em favor da religião católica, o novo teatro visava ensinar os mistérios da salvação. A maioria das encenações era feita nos dias santos, principalmente no dia de Corpus Christi.

O fato é que o teatro, como arte de representar, constitui apenas um meio de comunicação e expressão que, através da representação e das artes cênicas, tanto pode denunciar os vícios de uma sociedade, a exemplo de Aristófones, como também, representando histórias bíblicas ou temas evangélicos, pode anunciar a salvação em Cristo, como, aliás, incipientemente fazia o teatro medieval.

Se por um lado os cristãos primitivos, obviamente por causa do paganismo, não foram atraídos pelo teatro greco-romano, por outro lado, a Bíblia em nenhum lugar especificamente proíbe o crente de freqüentar o teatro. Também não fala em relação ao  cinema e à televisão, até porque tais meios de comunicação não existiam naquela época.

Afinal de contas, o crente pode ou não assistir televisão, freqüentar o teatro, ir ao cinema ou a quaisquer casas de espetáculos? Na verdade, a resposta depende de outra pergunta, aliás elementar para o crente que se considera filho de Deus em Cristo Jesus. A pergunta é: Por que?

Veja por exemplo que nós podemos freqüentar esses meios de comunicação do mesmo modo que freqüentamos os supermercados, ou  qualquer estabelecimento comercial do gênero. Se, por um lado, como exemplo, não se deve ir ao cinema porque lá também se projeta filmes pornográficos, por outro lado, e do  mesmo modo não deveríamos entrar no supermercado porque lá também se vende bebidas alcóolicas, cigarros, venenos e outros produtos inconvenientes.

Porém nós não vamos ao supermercado só porque lá se vende produtos reprováveis, pois não compramos nenhum produto dessa natureza. Pelo contrário, só vamos aos supermercados porque lá também tem coisas boas, e o fazemos somente para comprar aquilo que nos convém adquirir.

Assim também se freqüentamos o cinema, o teatro ou se assistimos TV, o fazemos porque ali também se vê coisas boas, por exemplo, programas sadios que nos edificam, de mais a mais o fazemos somente para assistir o que nos convém assistir. Afinal de contas não só o cinema, mas também o teatro, e ainda a TV ou qualquer casa de espetáculo afiguram-se tão profanos ou tão santificados quanto qualquer templo religioso.

A diferença se faz tão somente no conteúdo, ou  seja, na peça em cartaz, no filme em exibição, no programa que se vê, no espetáculo que se assiste, ou ainda no que se faz dentro de qualquer casa de espetáculo. O pecado que eventualmente os crentes possam vir a cometer freqüentando esses lugares, ou assistindo TV, fica por conta do produto, ou seja, da natureza de cada programa, filme peça ou espetáculo que venham a assistir.

Já ouvi muitos crentes e também pastores reclamarem de que, pelo fato de não possuírem televisão, seus filhos acabaram assistindo TV na casa de vizinhos não crentes. Veja que se tivessem televisão em casa, os pais poderiam controlá-la, e assim selecionar os programas para que os filhos à vontade pudessem assisti-la.

Claro que assistiriam somente aos programas que lhes convinha. Na casa do vizinho incrédulo, porém, assistirão tudo, e principalmente o que não convém. “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele” (Pv. 22.6).

Vejam agora que o fato de se proibir pura e simplesmente aos crentes de possuir televisão, de ir ao cinema, ao teatro, ou a casas de espetáculos, sob alegação de que eventualmente esses meios de comunicação representam perigos ameaçadores para a vida cristã, não tem nenhum fundamento e, sem dúvida, constitui furtivamente simples farisaísmo.

O mal não está no veículo de comunicação, por exemplo, no aparelho de TV, no cinema, no teatro, ou na casa de espetáculos, mas na própria comunicação, ou seja, no conteúdo de cada evento. Ora, impedir única e radicalmente, que os crentes usem tais meios de comunicação é no mínimo querer impensadamente matar a vaca para acabar com os carrapatos.

A Bíblia (Jo 7.24) não só nos ensina que não devemos julgar segundo as aparências e sim, pela reta justiça, como também diz que devemos escolher entre o bem e o mal. “Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição: escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Dt 30.19).

Enquanto o ímpio (Is 65.12) escolhe o caminho no qual o Senhor não tem prazer, o crente fiel, a exemplo do Salmo (119.30), obedecendo às ordens de Deus, escolhe a vereda da fidelidade. O povo no dia da paixão de Cristo escolheu a Barrabás. Porém Maria, preferindo a Jesus (Lc 10.42), escolheu a melhor parte que jamais lhe será tirada.

Assim devemos examinar todas as coisas e ficar somente com o que é bom (1Ts 5.21). Além do mais, Deus mesmo nos ajuda a escolher. “Em ti, pois, confiam os que conhecem o teu nome, porque tu, Senhor, não desamparas os que te buscam”.  “Ao homem que teme ao Senhor, ele o instruirá no caminho que deve escolher” (Sl 9.10; 25.12).

O argumento de que o crente não deve ter televisão porque ela constitui uma grande tentação dentro de casa, é consideradamente falso. Que a TV é uma tentação isso é verdade. Mas com certeza essa tentação não é maior do que as tentações de toda a natureza, por  exemplo, dos negócios, dos apetites da natureza humana, e de tantas outras tentações que se pode sofrer, e que de fato sofremos em toda e qualquer hora ou situação, a saber, nas ruas, no metrô, nos bares, nos restaurantes, na escola, no trabalho, em todo lugar, com as quais inevitavelmente temos que nos deparar no nosso dia-a-dia.

Lembre-se de que nunca, nesta vida, ficaremos livres das tentações. A oração de Jesus (Jo 17.15), segundo a qual, ele pediu ao Pai que nos guardasse do mal, está em perfeita harmonia com a oração do “Pai nosso” (Mt 6.13), onde o mesmo Jesus nos ensina a orar a Deus, suplicando para que não nos deixe cair em tentação. “Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia (1Co 10.12).

Na verdade, a Bíblia não só nos ensina que, evitando todo o tipo de mal, devemos examinar tudo e ficar com o que é bom, como também nos alerta de que não devemos nos afastar do mundo, pelo contrário, temos a obrigação de permanecer no mundo, sem contudo a ele pertencer. Na oração sacerdotal, Jesus rogou ao Pai que não nos tirasse do mundo, mas que nos livrasse do mal (Jo 17.14-16).

A Palavra de Deus também nos ensina que não devemos amar o mundo, isto é, o sistema organizado por Satanás, cujo objetivo não só é fazer metódica oposição ao criador, como também é rejeitá-lo inteiramente. Deus ama o mundo dos homens (Jo 3.16), porém os crentes não devem amar aquilo que, no mundo, se organiza contra Deus. Pois “Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no maligno” (1Jo 5.19).

Compete-nos, à vista disso que, firmados na fé em Cristo, desviemo-nos de toda e qualquer tentação que se nos apresente dia após dia, nunca dando chance a que Satanás nos atinja. Ora, se é pela fé que somos salvos, “porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8), também é pela fé  que ficaremos livres das tentações do mundo. Só é  fiel quem tem fé. Só pode resistir à tentação quem é fiel. “... Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” (1Jo 5.4).

O resistir às tentações, tanto pode significar, por exemplo, dizer um não a uma proposta indecente, seja de suborno, ou para participar de negócios escusos, como também pode consistir numa simples atitude de se desviar as tentações da cobiça, seja da carne, da mente, de bens materiais, de poderes ou de glórias. O maior exemplo de como resistir à tentação foi nos dado por Jesus. A um só tempo, ele foi tentado e resistiu três tipos de tentações: da fome, da glória e da irreverência. Ele as venceu todas pela Palavra de Deus (Mt 4.3-11).

Outro exemplo significativo de como resistir à tentação é o do Profeta Eliseu. Depois de ter sido poderosamente usado por Deus para operar um grande milagre de cura, em seguida fora também tentado com uma oferta de valioso presente, oferecido por essa mesma cura, a de Naamã, o leproso. “Porém ele disse: Tão certo como vive o Senhor em cuja presença estou, não o aceitarei. Instou com ele para que o aceitasse, mas ele recusou” (2Re 5.16).

Cumpre-nos rejeitar as ofertas do mundo, não só aquelas que se nos oferecem no teatro, no cinema e na TV, como também as outras que no nosso dia a dia se nos apresentam em todo e qualquer lugar e de várias maneiras. “... Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não  procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como, a sua concupiscência; aquele porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1Jo 2.16-17).

Li certa ocasião numa revista denominada “Pedrinhas” que havia no Jardim das Plantas, em Paris, uma serpente que todo o dia se alimentava de um cabritinho vivo. Geralmente o animal, aterrorizado, encolhia-se num canto do serpentário, deixando-se abater sem nenhuma resistência. Certo dia, porém, as coisas não foram bem assim.

É que tinham dado à serpente um cabritinho de pêlos pretos, que, ao invés de se deixar vencer para ser engolido pela cobra, na verdade começou atacá-la aos pontapés e às cabeçadas. Embora todos pensassem que, vencido, logo iria sucumbir, pelo contrário, o animalzinho lutava energicamente a ponto de pôr em risco a vida da própria serpente, razão pela qual, o guarda teve que retirá-lo do serpentário.

Então, para recompensar o intrépido cabritinho, o diretor do Jardim ordenou que fosse poupado, e que dessem outro cabrito à serpente. “... Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).

Enquanto, por um lado, para livrarmo-nos de alguma tentação, tenhamos que simplesmente dizer um não como o fez Eliseu, ou então, apenas desviar a nossa atenção do ponto da atração tentadora e direcioná-la para outro lado. Já, em casa, sob a grande tentação da TV, bastaria tão somente apertar uma tecla para mudar de canal ou para desligá-la.

É claro que se o crente assiste programas, ou espetáculos, ou filmes, qualificados como indecentes ou mundanos, pactuando com os ímpios, certamente ele estará cedendo às tentações, residindo aí, a sua transgressão. Se o crente ainda participa com prazer do mundanismo inserido no cinema, no teatro ou na TV, estará às escuras dando provas de que ainda permanece no império das trevas e ainda não chegou ao reino do filho do amor de Deus, no qual poderia ter a redenção e a remissão dos pecados (Cl 1.13). Estará dando provas de que não está seguindo a Jesus, no processo de santificação, que o libertaria do hábito e do domínio do pecado.

A característica do crente fiel em contraste com a vida dos ímpios é definida na Palavra de Deus como dissociação com os incrédulos e suas obras. “Pois outrora éreis trevas, porém agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (porque o fruto da luz consiste em toda a bondade, e justiça, e verdade), provando sempre o que é agradável ao Senhor. E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as” (Ef 5.8-11).

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