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O Atleta de Cristo
Pedro Liasch Filho

O ideal do esporte, seja qual for a sua modalidade, deveria ser a saúde física e mental das pessoas que o praticam. Esse ideal esportivo, atribuído aos gregos, desde a criação dos jogos praticados no istmo de Corinto, por isso denominados istmianos, cerca de 600 anos antes de Cristo, foi consagrado pela famosa frase: “mens sana in corpore sano”, expressão latina que significa mente sã em corpo são.

A Ciência já provou sobejamente que esportes e exercícios físicos são fatores preponderantes para a saúde física e mental. Além de aumentar a vitalidade, desenvolvendo e prolongando a capacidade atlética, o esporte promove também o bem-estar físico e mental do esportista. Desenvolve-lhe o caráter, a determinação e a disciplina.

O esporte, pois, em suas variadas modalidades, deveria ser incentivado pelos cristãos, uma vez que, constituindo fatores de uma vida física e mental saudável, não somente pode preservar o estado de saúde do esportista, como também pode-lhe ajudar a debelar os males que já o afligindo esteja no corpo ou na mente.

Lembre-se de que o ideal do esporte, consignado pela sentença, mente sã em corpo são, está em perfeita harmonia com a Palavra de Deus. “Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1Co 6.19).

Demais disso, os crentes estão no mundo mas não são do mundo. “Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no maligno” (1Jo 5.19). Segundo a analogia de um antigo cristão chamado Diogoneto, “... assim como a alma está para o corpo, o crente está para o mundo. Ora, a alma está no corpo mas não pertence ao corpo. Como também o cristão habita o mundo mas não pertence a ele. Na verdade a nossa alma está aprisionada dentro do corpo a fim de resguardá-lo. Assim também o crente está no mundo, como se dele prisioneiro fosse, porém para preservá-lo”. Não é sem motivo que o crente é considerado o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5.13, 14).

Glorificar a Deus pelo nosso corpo, que é o santuário dele, significa não só conservá-lo sadio no que diz respeito à imunidade da contaminação do pecado, como também, cultivando-lhe a saúde física e mental, livrá-lo das agressões de toda ordem, seja da violência esportiva, seja das agressões alimentares, seja dos acidentes, seja das enfermidades físicas ou mentais.

Além do mais, glorificar a Deus no corpo significa preservar ou libertá-lo da mais perversa agressividade física e mental jamais vista, e que tem destruído impiedosamente os mais caros valores da nossa sociedade, isto é, preservá-lo de todo e qualquer vício infame, como, por exemplo, a dependência química, seja do álcool, do fumo, ou das drogas.

O esportista que, pela prática regular dos exercícios físicos, tem mais chance de se libertar de suas toxinas, terá também maiores probabilidades de se livrar dos próprios vícios. Fui viciado no cigarro dos oito aos dezenove anos. Desempregado e sem recursos para sustentar o vício, e já envergonhado pelo fato de às vezes ter que fumar tocos de cigarro que encontrava na rua tentei largar do vício por várias vezes, mas não conseguia fazê-lo. Como o problema se agravava, tive que tomar uma decisão. Disse-me a mim mesmo: Eu sou dono do meu corpo e mando na minha vontade. Não fumarei mais doravante.

Essa decisão custou-me um grande sacrifício e quase me levou à loucura, uma vez que, tendo tomado uma decisão, não poderia voltar a trás. Às vezes, traído pelo subconsciente, eu chegava a procurar o cigarro a fim de fumar. Então me lembrava do pacto e o jogava fora.  Mas o que de fato me ajudou a me desvencilhar do vício foi a corrida. Toda a vez que me dava vontade de fumar, eu saia correndo, e corria até cansar e soar. Logo percebia que o ímpeto de fumar acalmava. O fato é que não demorou trinta dias, e eu estava totalmente liberto do vício.

Ainda bem que a Bíblia não condena o atletismo. Pelo contrário, em muitas passagens ela o incentiva. É verdade que pelo fato de também constituírem os jogos gregos expressão de religiosidade pagã, os hebreus, antes da era cristã, se sentiam constrangidos diante dos esportes gregos. Mas, na medida em que se foi se processando a helenização, isto é, a aculturação grega do Oriente Próximo, os jogos e os esportes helênicos foram se tornando comuns nas terras bíblicas, até porque deixaram de ter conotação religiosa.

O apóstolo Paulo, que no aspecto espiritual foi um verdadeiro atleta de Cristo, foi também quem mais incentivou a prática esportiva. As suas belas ilustrações metafóricas, aplicadas ao atletismo em suas mensagens, são provas de que ele conhecia muito bem o esporte, e o reconhecia com um bem para a saúde.

Haja vista a terminologia a que ele recorria freqüentemente, usando expressões próprias do linguajar esportivo, através dos quais visava transmitir ensinamentos espirituais aos atletas de Cristo. Veja estes exemplos: “Prossigo para o alvo” (Fl 3.14). “Corro também eu, não sem meta” (1Co 9.26). “Todo atleta em tudo se domina para alcançar uma coroa” (o prêmio) (1Co 9.25). “O Atleta não é coroado (ou seja, não leva o prêmio) se não lutar segundo as normas” (2Tm 2.5). “Não correr ou ter corrido em vão” (Gl 2.2).

É claro que para o apóstolo Paulo, os valores esportivos estariam em segundo plano, que em primeiro, estariam os valores espirituais. Embora devamos reconhecer a importância do atletismo saudável, temos que dar maior importância aos grandes e duradouros valores da vida cristã, aos postulados de uma realidade em Cristo cultivada pelo atletismo espiritual.

Dando maior importância à cultura do espírito, sem, no entanto, se descuidar da cultura física, o apóstolo, em suas parábolas esportivas, traça o perfil do verdadeiro atleta de Cristo. Na condição de atleta, preparador e técnico espiritual dos atletas do reino de Deus, ele fala, por exemplo, do preparo que se deve ter para uma boa corrida (Hb 12.1); fala também da superação dos obstáculos (Gl 5.7); do esforço que se deve desenvolver para se conseguir o prêmio (1Co 9.24); fala ainda do final feliz pela conquista da vitória (2Tm 4.7); bem como, da premiação propriamente dita (2Tm 2.8).

As metáforas atleticanas de Paulo sempre revelaram aplicações espirituais. Veja por exemplo a passagem de 2Tm 4.8. Aqui Paulo fala sobre a coroa da justiça (o prêmio) que esperava alcançar por haver ele terminado com sucesso a sua corrida. Na qualidade de atleta espiritual e havendo já terminado a prova, indubitavelmente ele haveria de receber o prêmio, a coroa da vitória. Este mesmo pensamento, em sentido figurado, foi abordado pelo apóstolo Pedro: “... Recebereis a imarcescível coroa da glória” (1Pe 5.4).

Outro exemplo está no texto de 2Tm 2.5. Diz que se o atleta não tiver obedecido as regras do jogo, não poderá receber o prêmio, mesmo que tenha obtido a vitória. Isso comumente acontece nos jogos. O atleta canadense Ben Johnson, por exemplo, foi desclassificado, nas Olimpíadas de Los Angeles, e teve que devolver suas medalhas porque, tendo infringido as regras do jogo, usou anabolizante, uma droga proibida pelo Comitê Olímpico. Nesta passagem, Paulo exorta a Timóteo a que, cumprindo diligente e disciplinadamente a sua missão, possa viver a vida cristã de tal maneira que jamais venha a ser desqualificado.

Vê-se por estas passagens que a Bíblia, mais enfaticamente Paulo, reconhecendo a importância das práticas esportivas, as incentiva, ainda que implicitamente. A menos que elas venham a ser observadas de maneira a prejudicar-lhe a vida espiritual, o crente não terá nenhum motivo para desaprová-las.

Um dos fatores negativos do esporte, porém, e que pode contrapor à vida espiritual do atleta, é a violência que vergonhosamente vem sendo praticada principalmente nos esportes que naturalmente são mais vigorosos, como por exemplo, as modalidades do futebol, hóquei, lutas orientais e outras.

Algumas igrejas legalistas acham que o esporte não deve ser praticado pelos  cristão, por constituir pecado de porfias, disputas e contendas. É verdade que porfias, disputas e contendas, no sentido de rixas, discussões e dissensões são frutos da carne e constituem pecado (2Co 12.20), devendo ser evitado e também combatido pelo crente.

Por outro lado, é verdade também que nenhum esporte, mesmo aqueles praticados corpo a corpo, considerados vigorosos, em que se faz uso da força bruta, como por exemplo, futebol, basquete e outros, devam necessariamente ser realizados no espírito de porfias, disputas ou contendas, a saber, no sentido bíblico de rixas ou dissensões.

Lembre-se de que, ao contrário do que comumente acontece, nenhuma peleja esportiva, por mais acirrada que seja, deva ser levada a efeito deslealmente, com lances ou jogadas maldosas, intencionais, visando ganhar o jogo a qualquer preço, mesmo às custas de agressões físicas que os jogadores venham a impor aos seus adversários. “... Não nos criou o mesmo Deus? Por que seremos desleais uns para com os outros, profanando a aliança de nossos pais” (Ml 2.10).

Veja também que o mal da deslealdade não está só na prática esportiva, mas em qualquer atividade, lugar ou circunstância. Pois onde estiver o homem, seja nos negócios, no lar, na escola, no trabalho ou no esporte, ele poderá ter atitudes de porfias, disputas ou contendas, revelando manifestações pecaminosas. “Porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?” (1Co 3.3).

O fato é que “... dos perversos procede a perversidade...” (1Sm 24.13); assim como, “... aquele que pratica o bem procede de Deus ...” (3Jo 11). Em todo e qualquer lugar, sob qualquer circunstância, o esportista cristão ainda que não reconheça o fato, estará sempre na presença de Deus: “... Livraste da queda os meus pés, para que eu ande na presença de Deus, na luz da vida” (Sl 56.13).

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