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Novo e vivo caminho
Pedro Liasch Filho

O texto de Hb 10.19-22 narra vividamente a nossa maravilhosa entrada no Reino de Deus, através de um novo e vivo caminho, o próprio Senhor Jesus Cristo, que se ofereceu por nós: “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura”.

A figura do resgate pelo sangue de Cristo fica ainda mais viva na memória quando lemos Colossenses (1.13), onde diz que ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, isto é, a remissão dos pecados.

Note-se que o novo e vivo Caminho, consagrado por Jesus, na cruz, constitui o reino dos céus, que se estenderá até o reino milenar de Cristo. No entanto, os filhos de Deus já podem usufruir as bênçãos desse novo e vivo Caminho, quando já nele estiver entrado.

A verdade cristalina, revelada por Paulo, segundo a qual fomos tirados do império das trevas e trazidos para o reino do Filho do amor de Deus, indica a existência de uma fronteira que divide os dois reinos: o império das trevas e o reino de Deus. Tendo, pois, os resgatados desse império, ultrapassado a fronteira da liberdade, trilham agora um novo e vivo Caminho, ou seja, seguem a Jesus Cristo.

Muitos cristãos de hoje estão cometendo um grave erro em função do principal erro de não se conhecer as Escrituras Sagradas (Mt 22.29). É que, desconhecendo os ensinamentos bíblicos a respeito do Messias, ignora-se também esse novo caminho, o Caminho de Cristo, o Caminho Santo, o caminho da santificação. “E ali haverá bom caminho, caminho que se chamará o Caminho Santo; o imundo não passará por ele, pois será somente para o seu povo...” (Is 35. 8).

No período da igreja primitiva os cristãos eram conhecidos como o povo do Caminho, porque tendo sido salvo por Jesus Cristo, também o seguia fielmente. Hoje em dia muito pouca gente poderia ser identificada como aqueles que são do Caminho, o Caminho de Cristo, o caminho da santificação, “a santificação sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12. 14). De fato, embora tenham se convertido a Cristo, a maioria dos cristãos de hoje não o seguem.

Assim como a salvação é tricotômica, isto é, do espírito, da mente e do corpo, a santificação também o é, pois Deus deseja que sejamos santificados por inteiro: “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma (isto é, a mente) e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5.23).

Enquanto a justificação, por um lado, livra o pecador da culpa e da penalidade do pecado (Rm 4.5). Por outro, a santificação liberta o crente do hábito e do domínio do pecado. “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, e, sim, da graça” (Rm 6.14).

Observe-se que hoje em dia, o termo santificação, tem sido inteiramente excluído das pregações. Ou não se prega, ou se omite a doutrina da santificação. Certo pregador, no rádio, referindo-se ao texto de Hb 12.14, disse: “Segui a paz com todos...”, e concluiu: “sem a qual ninguém verá o Senhor".

Note-se que, omitindo o termo santificação, ele torceu as Escrituras, uma vez que a expressão “sem a qual ninguém verá o Senhor”, refere-se à santificação. Paulo chama a tais distorções de outro evangelho. “Mas, ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema (isto é, seja amaldiçoado)” (Gl 1.8).

O termo outro evangelho significa uma mensagem falsificada, cujos mensageiros não escaparão da ira divina. Quer isso dizer que qualquer distorção, alteração ou perversão da verdade cristocêntrica, isto é, do testemunho apostólico referente ao Evangelho pleno, estaria sob a maldição divina, tornando-se alvo da condenação eterna.

Quanto à santificação, o segundo tempo da salvação, ela tem inicio na passagem do reino das trevas para o Reino de Deus, isto é, na conversão. Diz respeito a um processo de vida cristã, que leva o crente a se tornar uma pessoa dedicadamente separada para Deus. “Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.14-16).

Observe-se que, no referido texto, a palavra santo, do grego Ágio, significa separado. Aparecendo cerca de duzentas e vinte vezes no Novo Testamento, desde Mateus 1.18 até Apocalipse (22.21), essa palavra indica o fato de que os cristãos foram separados (do império das trevas) pelo Senhor como sua possessão peculiar. “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz...” (1Pe 2.9).

Demais disso, quando se ignora o Caminho de Cristo, ignora-se também outro fato deveras extraordinário, a saber, que esse novo Caminho, é um verdadeiro tesouro. Ora, Jesus afirmou que o novo Caminho (o reino dos céus) é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo (Mt 13.44).

Não é sem razão que o Senhor tenha nos feito esta amorosa advertência: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6.19-21).

A expressão, “onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”, quer dizer que onde estiver o nosso interesse, aí estará também a nossa preocupação. Isto posto, se estiver o nosso interesse no Reino de Deus, nele também estará a nossa preocupação, pois dele estaremos constante e alegremente ocupados.

Conta-se que, num restaurante de Londres, um grupo de pessoas inglesas se reuniu para comemorar e falar sobre o fato de haverem estado em outros paises, por vários anos, trabalhando em diversas atividades como cidadãos britânicos. Obviamente a conversa girava em torno das diferentes atividades que cada um exercia, bem como, das histórias que cada um viveu nos respectivo país.

Dois daqueles homens, um que se chamava Jorge, e outro, Stanley, conversavam numa das mesas, quando um deles, o Jorge, perguntou ao Stanley: Em que país você esteve, por quanto tempo e o que fazia lá? Este respondeu que estava voltando da Índia, e que era missionário cristão, tendo trabalhado ali durante cinco anos.

Jorge, pensativo, coçando a barba ruiva, disse: Eu também estive na Índia, por mais de cinco anos. Ocorre que, durante tanto tempo, eu nunca vi naquele país nenhum missionário, como também nunca vi algum indiano convertido ao cristianismo.

Havendo notado, pela expressão irônica de Jorge, que a intenção dele era desacreditar o trabalho missionário, ciente de que ele também estivera na Índia durante mais de cinco anos, Stanley lhe perguntou o que fazia na Índia. Aí, meio arrogante, cheio de si, ele disse que, durante todo aquele tempo, fora caçador de leões, e, sem perder tempo, começou a contar as suas proezas.

Stanley, porém, interrompendo-o de pronto, disse-lhe: Como você já sabe, eu também estive na Índia durante cinco anos; ocorre, porém, que eu nunca vi naquele país um leão sequer, como também não vi nenhum caçador de leão. Evidentemente a conversa acabou, e tiveram que mudar de assunto.

O fato é que o interesse de cada um daqueles cidadãos britânicos estivera em coisas e lugares diferentes, pois, enquanto Jorge se ocupava com os leões, Stanley se preocupava com as almas. Um estava inserido no reino animal, as coisas do mundo, o outro, no Reino de Deus, as coisas espirituais. “Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração”.

Se o novo e vivo Caminho constitui uma grande riqueza, um tesouro, guarde bem esse tesouro. “Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10.23-25).

Se, por outro lado, essa riqueza, esse tesouro constitui o novo e vivo Caminho, nunca deixe esse Caminho. “Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma” (Hb 10.35-39).

Não abandone a confiança, cuja recompensa é maravilhosa. Segundo o texto já citado, todo aquele que trilha o Caminho Santo necessita de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcance a promessa da salvação eterna. Enoque, por exemplo (Gn 5.24), andando com Deus, perseverou até o fim.

Além disso, ele agradava a Deus. “Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus” (Hb 11.5). Ele também foi um profeta de Deus. “Profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor entre suas santas miríades, para exercer juízo contra todos e para fazer convictos todos os ímpios, acerca de todas as obras ímpias...” (Jd 14, 15).

Na verdade, andando com Deus, Enoque permaneceu no Caminho até o fim, como também andando no Caminho, sempre esteve com Deus. Observe-se que Deus está no Caminho, e o Caminho, em Deus. Respondendo a Tomé, que desejava saber o Caminho, Jesus disse: “Eu sou o Caminho”. Se você está em Cristo, também está no Caminho, não importando onde você esteja.

Note-se que o problema não é geográfico, uma vez que Deus, através do seu Espírito, está em todos os lugares. “Por ventura, não encho eu os céus e a terra? – diz o Senhor” (Jr 23.24). A mulher samaritana pensava, como todos os samaritanos, que o único lugar de adoração, onde Deus deveria estar, era o monte Gerizin. Jesus, porém, lhe disse que chegaria o tempo em que ninguém adoraria a Deus nem no monte Gerizin, nem no monte Sião, em Jerusalém, pois o culto do templo seria substituído por um culto em espírito, o culto do Espírito Santo.

Assim, esclarecendo-lhe a dúvida, Jesus disse-lhe: “... Vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade (Jo 4. 23, 24). 

Se você está em Cristo, o novo e vivo Caminho, nunca deixe esse Caminho, apesar das tribulações. Continue com os olhos fixos em Jesus, pois dele depende a sua fé, desde o começo até o fim. Observe-se o exemplo dos heróis da fé. Apesar de viverem em constantes tribulações, passando por terríveis perseguições, às vezes em perigos de morte, eles foram fiéis até o fim.

A expressão “rodeados de tão grande nuvem de testemunhas”, em Hb 12.1, refere-se a esses heróis, cuja história está registrada no cap 11, por exemplo, Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Raabe, Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e aos profetas. Apesar de toda a dureza de vida que tiveram, eles, com fidelidade, permaneceram no Caminho.

Se, por um lado é preciso permanecer no Caminho, por outro, é necessário ter todo o cuidado, para não se desviar. “Cuidareis em fazerdes como vos mandou o SENHOR, vosso Deus; não vos desviareis, nem para a direita, nem para a esquerda. Andareis em todo o caminho que vos manda o Senhor, vosso Deus, para que vivais, bem vos suceda, e prolongueis os dias na terra que haveis de possuir”. Dt 5.32-33.

Não só devemos ter o cuidado de não olhar nem para a esquerda, nem para a direita, fixando nosso olhar só em Jesus – o Caminho, mas também devemos ser vigilantes, para que não sejamos surpreendidos pelas ciladas do diabo. “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar” (1Pe 5.8). Lembre-se também da advertência de Paulo (1Co 10.12), segundo a qual, aquele que pensa estar em pé veja que não caia.

Se, porém, acontecer de se desviarem do Senhor, "... os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele, sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda" (Is 30.21).

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