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O caso da cobra urutu
Pedro Liasch Filho

 

Contou-me este caso um dos meus tios, o Laurentino. Aconteceu por volta de 1940, numa plantação de milho, envolvendo dois lavradores, conhecidos por Zezinho e Zeca. Tudo aconteceu quando eles trabalhavam na roça quebrando milho, isto é, colhendo espigas de milho seco.

Zezinho quebrava uma espiga no , quando, girando o corpo para dar um passo e prosseguir trabalhando, sentiu uma forte dor na batata da perna direita, como se fosse de uma picada de agulha. Procurando achar a razão de tal picada, tentando erguer a perna da calça, sentindo mais dor, constatou que, naquela perna, havia uma mancha de sangue.

No mesmo instante, enquanto tentava descobrir o que tinha acontecido, escutou um som estranho, em meio às espigas de milho colhidas. , olhando atentamente para investigar o ruído, notou, para seu espanto e desespero, que o barulho era de uma cobra urutu, cujo veneno é violentíssimo, a qual, serpenteando-se entre as moitas de milho, fugia apressadamente.

Nesse instante, dando um grito desesperado, chamou pelo Zeca e disse-lhe: Zeca, venha aqui depressa; socorre-me. Eu fui mordido por uma urutu. De pronto o zeca correu para junto do amigo, cujo braço direito colocou em volta do seu pescoço, e o conduziu até a sua casa, que não ficava muito longe.

Ainda no caminho, Zeca planejou falar com o Tiago, um vizinho, dono de uma charrete, a quem pediria para que levasse Zezinho à cidade, a fim de ser socorrido pelo médico. Chegando em casa, o Zeca o colocou numa cama, recomendando-lhe que ficasse calmo, pois iria chamar o vizinho o mais rapidamente possível. No entanto, Zezinho começava a passar mal.

Sai o Zeca correndo à casa de Tiago, mas não o encontra, pois estava trabalhando na roça, não muito perto dali. Embora cansado, vai Zeca depressa em direção à roça, a procura do socorro. Depois de longa caminhada, encontrando Tiago, explica-lhe o drama do amigo. Em seguida, voltam os dois depressa para casa.

, recomendando a Tiago que preparasse a charrete o mais depressa possível, Zeca vai correndo a sua casa para ver como se encontrava Zezinho. Quando entrou no quarto, logo percebendo que ele estava muito mal, disse-lhe que ficasse quieto e agüentasse mais um pouco, que o socorro estava a caminho.

Pálido, suando frio e com o coração disparado, Zezinho mal podia respirar. Apenas murmurava: Zeca, eu vou morrer. Desesperado, porém tentando acalmar o amigo, Zeca pediu-lhe para que se aprontasse rápido, pois logo iriam ver o médico. Porém Zezinho, piorando cada vez mais, largado na cama, não reagia a nenhum estímulo. , Zeca removeu as calças dele, a fim de lavar a perna que estava suja de sangue.

Assim, tomando uma bacia cheia de água, Zeca chega à beira da cama e começa a lavar-lhe a perna. No entanto, ao observar o local da picada, teve uma tão grande surpresa, que, levantando os olhos, disse em gritos: Zezinho, você não foi mordido pela urutu.

Em seguida, abaixando a cabeça, retirou do local da picada um enorme espinho, próprio de uma planta chamada espinheira roxa, comum naquela região. Chamando e chacoalhando Zezinho para desapertá-lo, que mal podia abrir os olhos, mostrou-lhe o espinho e disse: Você não foi picado pela urutu, e sim por um espinho roxo. Apenas isso. A cobra que você viu, estava fugindo assustada.

Não é preciso dizer que, tendo constatado o terrível engano, Zezinho começou a respirar aliviado. Abriu os olhos e sua cor foi se restabelecendo, o coração desacelerando, enfim, começou a melhorar rapidamente. Logo estava tão bem que parecia que não havia tido nada. os amigos se olharam e começaram a rir. Pois não acreditavam que por causa de um espinho roxo tinham passado por uma tão grande angústia, e que Zezinho teria sido levado à morte.

O fato é que Zezinho estava morrendo por auto-sugestão de envenenamento. Ele tinha absoluta certeza de que fora mordido por uma cobra venenosa. E como tal se comportava. Se ele não viesse a saber que fora picado por um espinho, e não fosse socorrido a tempo, com certeza teria morrido.

Machado de Assis disse que o nosso destino é modificado pelo nosso pensamento. Assim como, por um lado o pensamento pode promover a fortaleza do nosso corpo, por outro, a idéia fixa de uma imaginária doença, como, por exemplo, um envenenamento, pode levá-lo à morte.

Segundo a expressão bíblica “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12. 34), o homem age de acordo com a sua imaginação, inclusive interiorizando suas ações. No caso de uma idéia fixa de uma doença, por exemplo, embora falsa, o sistema de defesa do organismo necessariamente se mobiliza com reações químicas para proteger o corpo. E o faz de tal maneira que essas reações podem matá-lo, caso, a tempo, não sejam interrompidas.

Bem diz a Palavra que, devendo pensar o que é bom, devemos trazer à memória o que nos pode dar esperança (Lm 3.21).

 Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade queem Cristo” (2Co 11.3).

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fp 4.8).

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