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Mensagem do mar
Pedro Liasch Filho

 

Ken, na opinião do amigo Arthur Gordon, era uma pessoa formidável quando se tratava de afastar as preocupações da gente. Ele puxou uma das gavetas da escrivaninha, e tirou uma pequena caixa de papelão. Colocou-a sobre a mesa, e disse que se acaso tinha alguma das qualidades a que se referia o amigo, provavelmente ela tinha vindo de algo que estava naquela caixa, guardada ha mais de 30 anos.

Alma, sua esposa, era a única pessoa além dele que sabia o que a caixa continha, e achava que talvez até ela tinha se esquecido. Mas ele, uma vez ou outra, apanhava-a e dava-lhe uma olhadela.

Num suspense de causar inveja a Hitchcock, com uma voz meio apagada, disse que por volta de 1920, ele era um rapaz de sorte. Era capaz de ultrapassar qualquer barreira. Fazia dinheiro com uma rapidez impressionante. Mas gastava tudo mais depressa ainda.

Então, olhando firme nos olhos de Gordon, disse: Um dia chegou o ajuste de contas. E que dia foi aquele! É difícil para quem não sofreu com a queda da bolsa de Nova Iorque em 1929 imaginar o que tinha sido. Numa semana ele era milionário... Na semana seguinte, um pobretão. A reação, fácil de se prever, foi uma bebedeira que o deixou embriagado por três dias.

Amargando a ressaca e a fim de celebrar sua auto-piedade, foi para sua casa de praia, ou melhor, para a casa que tinha sido sua antes do desastre. Sua esposa quis acompanhá-lo, mas ele não a deixou. Na verdade, ele queria estar longe de tudo para refugiar-se de novo na bebida e embriagar-se até não poder mais.

Lembrando, porém, que sempre chega o momento em que se recobra a lucidez, ainda olhando de relance a caixa de papelão, disse que se sentia amargurado pelo desespero e esmagado pela repulsa de si mesmo. Olhando para o seu rosto no espelho, notando os olhos injetados e a barba de três dias, estava certo de que olhava para um fracassado que tinha estragado completamente a sua vida.

Veio-lhe então a convicção de que a melhor coisa que poderia fazer era afastar-se do cenário para sempre. Um temporal soprava fora, e o mar estava furioso. Ele decidiu cair na água e nadar até onde não pudesse mais voltar. Isso poria fim a tudo.

Era quase de madrugada e o céu, enfurecido, estava vermelho. Cambaleando pelos degraus da varanda saiu e avançou para a praia. Ouvindo as ondas rebentarem violentamente, andou até à beira da água. E na medida em que caminhava, olhando para a praia, viu alguma coisa reluzindo na areia. Era uma concha oval, de cálcio estriado, opalina, graciosa e delicada.

Recorda Ken que naquela noite ficou olhando para a concha úmida e reluzente durante alguns segundos, e depois apanhou-a cuidadosamente. Era tão frágil que a menor pressão dos seus dedos a teria partido. Olhando para Gordon e apontando para a concha, disse: E, no entanto, aqui está ela, ilesa, perfeita. Como seria isso possível?

A pergunta, ainda presa à sua mente, o remeteu de novo àquela noite escura, tempestuosa e fria e o fez relembrar novamente os fatos: Enquanto ao seu redor o vento guinchava e o oceano rugia, massas de águas agitadas tinham atirado aquela concha às areias batidas. Não deveria ter sido a concha esmigalhada, destruída inteiramente? Mas não o fora. Que a teria mantido intacta, inquebrantável? Perguntou com uma espécie de furiosa insistência.

De repente, olhando fixamente nos olhos de Gordon, disse que havia compreendido porque a concha permaneceu intacta. É que ela se havia entregue às terríveis e esmagadoras  forças que a cercavam. Aceitara a tormenta da mesma maneira que havia aceitado a placidez das profundezas em que tivera a sua origem. E por isso sobrevivera.

E, sentando-se de novo, sem tirar os olhos de Gordon, concluiu explicando-lhe porque tinha sido transformado num novo homem: Ele se viu a lutar contra o inevitável, a bater os punhos contra o destino, quando devia aceitar tudo com . Ele não sabe quanto tempo permaneceu diante da concha, e quando se afastou do mar, levou-a consigo e guardou-a desde então.

Maravilhosa graça! Ele aceitou a tempestade da sua vida com . Desistiu da morte e foi transformado num novo homem para recomeçar uma nova vida.

Uma frágil concha, jogada à praia pelas ondas do mar, constituindo uma mensagem passiva tornou-se um poderoso instrumento de Deus para despertar a consciência de um homem atormentado, e salvá-lo de corpo e alma. De fato, a Palavra inspirada pode restaurar vidas, como sempre o faz a centenas de milhares no mundo inteiro.

Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro em mim? Espera em Deus...” (Sl 42.11).

 “Muitas são as dores do ímpio, mas o constante amor do Senhor cercará aquele que nele confia” (Sl 32.10).

“Deleita-te no Senhor, e ele te concederá os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará. Descansa no Senhor, e espera nele...” (Sl 37.4, 5, 7).

Adaptado de um artigo de Arthur Gordon (Seleções, dezembro de 1965).

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